Indústria de alimentos contribui para conter inflação, lidera a geração de empregos e sustenta crescimento em 2025

  • Apesar de enfrentar aumento de 5,1% nos custos de produção, setor limitou repasse de preços
  • Massa salarial paga pela indústria cresceu 9,94%, superando a inflação e elevando a renda dos trabalhadores
  • Empresas investiram R$ 41,3 bilhões, um avanço de 6,8% em relação ao ano anterior, para ampliar a competitividade 

SÃO PAULO, 5 de março de 2026 – A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 reafirmando seu papel estratégico para a estabilidade econômica e social do país. De acordo com o balanço anual divulgado pela ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, o setor conseguiu manter o crescimento da oferta, da geração de empregos e do faturamento, mesmo diante de um cenário de volatilidade cambial e pressões tarifárias globais.

Apesar de enfrentar um aumento de 5,1% nos custos de produção, impulsionado pela alta de matérias-primas agrícolas, embalagens, energia e combustível, o setor limitou o repasse de preços: enquanto o IPCA geral do período ficou em 4,26%, os alimentos subiram 2,95%. Essa contenção foi viabilizada por investimentos que possibilitaram ganhos de eficiência e, com isso, permitiram absorver parte da pressão inflacionária. Esse esforço é vital para o orçamento doméstico, já que a alimentação representa cerca de 25% do custo de vida das famílias brasileiras, segundo o IBGE.

“O ano de 2025 colocou à prova a resiliência da indústria de alimentos, que demonstrou, mais uma vez, ser força motriz de estabilidade para os lares brasileiros. Mesmo diante de um cenário mais instável, buscamos eficiência e inovação para amortecer parte dessa pressão. Contribuir para manter a inflação dos alimentos abaixo da inflação geral não se trata apenas de um resultado econômico, é a expressão do nosso compromisso com a segurança alimentar do Brasil”, afirma o presidente executivo da ABIA, João Dornellas. 

SETOR SUSTENTA MERCADO DE TRABALHO INDUSTRIAL

 Em 2025, a atividade manteve seu comportamento de expansão e consolidou-se como o principal motor de geração de vagas na indústria de transformação. As 51 mil novas contratações formais representaram 44,6% de todos os postos criados no ano, reforçando o papel do setor na sustentação do emprego industrial.

No total, a força de trabalho direta alcançou 2,125 milhões de empregados, o que representa um crescimento de 2,4% em relação a 2024. Somando empregos indiretos – como agricultura, embalagens, equipamentos, logística e transporte – a cadeia produtiva chegou a 10,6 milhões de postos de trabalho, o equivalente a 10,3% de toda a força de trabalho ocupada no país.

O ano também registrou avanços sociais relevantes: a massa salarial paga pelo setor cresceu 9,94%, aumento que superou a inflação e evidencia que, além de gerar empregos em ritmo superior ao da economia, a indústria de alimentos contribuiu para elevar renda e bem-estar dos trabalhadores ao longo de 2025.

“Os investimentos realizados pela indústria são uma evidência do compromisso do setor com a agregação de valor na cadeia de alimentos. Esses recursos não se traduzem apenas em modernização de plantas e inovação, mas na abertura de novas oportunidades de trabalho em todas as regiões. Para cada profissional dentro das nossas fábricas, existem outros quatro trabalhando em toda a cadeia produtiva”, destaca Dornellas.

MERCADO INTERNO IMPULSIONA FATURAMENTO 

A indústria brasileira de alimentos e bebidas encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, alta de 8,02% em relação ao ano anterior, somando vendas internas e exportações. O setor manteve sua relevância econômica, respondendo por 10,9% do PIB nacional.

O grande destaque do ano foi o mercado interno, que respondeu por R$ 1,02 trilhão, sendo R$ 732 bilhões decorrentes do varejo e R$ 287,9 bilhões do food service, que vem retomando sua fatia de participação, com crescimento nominal de 8,4% e 10,1, respectivamente. O comportamento da demanda doméstica foi determinante para sustentar o crescimento real das vendas, que avançaram 2,2%. O resultado reflete a recomposição gradual do consumo das famílias, o avanço do consumo fora do lar e os ganhos de eficiência obtidos pelas empresas ao longo do ano. A produção física da indústria atingiu 288 milhões de toneladas, alta de 1,9%.

No campo, a indústria manteve sua posição estratégica como principal cliente da agropecuária nacional, adquirindo 62% de toda a produção agropecuária brasileira e 68% da produção da agricultura familiar. “Somos o maior parceiro do campo e esse elo se manteve forte em 2025, garantindo previsibilidade para o produtor rural, fortalecendo sua renda e ampliando a capacidade de escoamento da produção agrícola nacional. O bom desempenho do setor é também um reflexo desse trabalho integrado, que beneficia produtores, indústrias, trabalhadores e consumidores”, avalia Dornellas. 

INDÚSTRIA AMPLIA INVESTIMENTOS 

Para sustentar o crescimento e ampliar a competitividade, as empresas do setor investiram R$ 41,3 bilhões em 2025, um avanço de 6,8% em relação ao ano anterior. A maior parte desse montante, R$ 26,7 bilhões, foi direcionada à inovação, modernização de plantas industriais e adoção de novas tecnologias, reforçando o compromisso da indústria de alimentos com ganho de eficiência e sustentabilidade.

“É importante lembrar que, em 2024, anunciamos um investimento de R$ 120 bilhões no período 2023-2026. Até o ano passado, o volume investido chegou a R$ 116 bilhões, ou seja, já realizamos cerca de 97% do nosso compromisso”, informa o presidente executivo da ABIA.

EXPORTAÇÕES MANTÊM CRESCIMENTO MESMO COM CENÁRIO GLOBAL ADVERSO 

Mesmo com desafios tarifários e uma economia mundial menos dinâmica, as exportações da indústria brasileira de alimentos e bebidas cresceram 0,7% em 2025, alcançando US$ 66,73 bilhões. O desempenho confirma a competitividade do setor e sua capacidade de manter presença consistente no mercado internacional, exportando para mais de 190 países e territórios.

A Ásia permaneceu como principal destino, somando US$ 27,4 bilhões e 41,1% das vendas externas, com destaque especial para a China, que representou 19% das exportações e registrou alta de 28,4% no ano. A Liga Árabe manteve forte relevância, com US$ 10,3 bilhões e participação de 15,4%, enquanto a União Europeia foi responsável por US$ 8,7 bilhões, equivalente a 13% do total exportado. Já os Estados Unidos importaram US$ 4,9 bilhões em produtos brasileiros, com crescimento de 9,2%, mesmo diante das elevações tarifárias aplicadas ao setor.

Como resultado, o setor obteve um saldo comercial de US$ 57,5 bilhões, responsável por 84,2% de todo o superávit da balança comercial brasileira, uma demonstração direta do peso da indústria de alimentos para a inserção internacional do país.

PERSPECTIVAS 2026 INDICAM CRESCIMENTO SUSTENTADO

Para este ano, as projeções são favoráveis: as vendas reais devem crescer entre 2% e 2,5%, impulsionadas pela continuidade da demanda doméstica e pela recuperação gradual do mercado internacional. Do ponto de vista da oferta, a manutenção da safra 2025-2026 contribui para assegurar o abastecimento de matérias-primas. Por outro lado, a alta dos preços das embalagens continua sendo fator de pressão de custo. A geração de empregos deve acompanhar esse movimento, com alta prevista entre 1% e 1,5%, mantendo o setor como um dos principais motores de ocupação na indústria brasileira.

Com investimentos consistentes, presença internacional robusta e forte integração com o campo, a indústria de alimentos inicia o ano posicionada para ampliar sua contribuição ao desenvolvimento econômico, à segurança alimentar e ao abastecimento do país. O setor segue preparado para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades, reforçando sua relevância para o Brasil.

“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, finaliza o presidente executivo da ABIA.

Material extra

Documento com dados e números nacionais: https://intranet.abia.org.br/vsn/temp/z202634OnePage26web.pdf

Documento com dados e números regionais: https://intranet.abia.org.br/vsn/temp/z202632Regionais2026web.pdf

Sobre a ABIA

 Criada em 1963, a ABIA é a maior representante da indústria de alimentos no País. Fazem parte da associação empresas produtoras de alimentos, bebidas, tecnologias e ingredientes: indústrias de pequeno, médio e grande portes, presentes em todo o território nacional, brasileiras e multinacionais que, juntas, representam cerca de 82,3% do setor, em valor de produção. A indústria de alimentos e bebidas é a maior do Brasil: processa 62% de tudo o que é produzido no campo, reúne 42 mil empresas, produz 288 milhões de toneladas de alimentos por ano, gera 2,125 milhões de empregos diretos e representa 10,9% do PIB do país.

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