Programa Conhecendo a Indústria leva técnicos e consultores a fábricas de alimentos em Goiás

Comitiva visitou Rancheiro, Piracanjuba e JBS; ABIA alerta para necessidade de revisão na classificação de alimentos chamados ‘ultraprocessados’

Mostrar a relevância da indústria de alimentos e a importância do processamento para a segurança e a qualidade do produto alimentício que chega à mesa dos brasileiros. Esse foi o objetivo desta edição do “Programa Conhecendo a Indústria”, realizado pela Diretoria de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), nos dias 17 e 18 de setembro, em Goiás.

Indispensáveis para a cadeia que absorve 62% dos produtos agrícolas no país e o transformam em industrializados, as fábricas do setor são responsáveis hoje pela produção de 288 milhões de toneladas de alimentos e bebidas e por 2,1 milhões de empregos diretos formais, além de 8,5 milhões de empregos indiretos. O faturamento do segmento equivale a 10,8% do PIB nacional.

No Brasil, a indústria de alimentos enfrenta desafios regulatórios, especialmente no que diz respeito à classificação incorreta dos alimentos por grau de processamento e ao uso do termo ‘ultraprocessados’. “Essa classificação não é usada na maioria dos países e não encontra consenso na comunidade científica nacional e internacional”, diz Anna Henriquetta, diretora de Assuntos Institucionais da ABIA. “Milhares de alimentos são ‘ultraprocessados’ segundo a classificação NOVA. No entanto, a ciência e a tecnologia de alimentos, assim como a indústria, não utilizam essa classificação. A indústria não ultraprocessa nada. Processar o alimento é, em primeiro lugar, torná-lo seguro para o consumo e indispensável para garantir a segurança alimentar”, acrescenta.

A ABIA avalia que o conceito usado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira é amplo e precisa ser revisto. O documento do Ministério da Saúde (MS) classifica os alimentos segundo o grau e a finalidade de processamento – a chamada classificação NOVA. A entidade defende a revisão da definição de ‘ultraprocessados’ baseada em evidências científicas e que ela não seja usada isoladamente em políticas públicas.

Um grupo de grupo de 26 pessoas, entre especialistas e advogados da CNI e da ABIA, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), representantes da Casa Civil, além de consultores e assessores do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, participou das visitas a três indústrias em Goiás para conhecer de perto a realidade do chão de fábrica.

A comitiva visitou a unidade da Rancheiro, em Anápolis, onde conheceu o passo a passo da produção de biscoitos e cafés. Fundada em 1985, a planta produz mil toneladas de café e 5 mil toneladas de rosquinhas por mês, distribuídas para todos os estados brasileiros e exportadas para 28 países. A indústria emprega 1,3 mil empregados.

Socio-fundador da Rancheiro, José Wilson de Oliveira afirma que os produtos são fabricados com o mais alto controle de qualidade, como demonstrou em cada etapa da visita à fábrica. “A gente usa matéria-prima de muita qualidade, como óleo e farinha, e não podemos concordar que nossos produtos sejam classificados como de alguma forma prejudiciais”, enfatizou.

Também na quinta-feira, os integrantes desta edição do “Conhecendo a Indústria” foram à fábrica da Piracanjuba, em Bela Vista de Goiás. O grupo acompanhou todas as etapas da produção de diferentes tipos de leite e de suplementos de proteína extraídos do soro lácteo.

Segundo maior laticínio do país, com 13 fábricas, a Piracanjuba tem mais de 5 mil colaboradores e produz uma extensa variedade de itens, como leites líquidos e em pó, manteiga, queijos e suplementos de proteína.

Já na sexta-feira (18), a visita foi à planta da JBS, em Goiânia, onde a multinacional brasileira processa carnes e produtos de origem animal. A comitiva visitou áreas fechadas onde as carnes são selecionadas, cortadas e embaladas para serem distribuídas para todo o Brasil e exportadas para mais de 40 países.

“O programa Conhecendo a Indústria é de extrema importância para que segmentos que tomam decisão na sociedade conheçam a realidade da indústria de alimentos, o seu compromisso com a saúde do consumidor, com o meio ambiente e a economia do país e, principalmente, para demonstrar que o setor processa saúde, segurança e boa nutrição”, destacou Alexandre Novachi, diretor de Assuntos Regulatórios e Científicos da ABIA.

Para Patrícia Fernandes, especialista em políticas e indústria da Diretoria de Relações Institucionais da CNI, as visitas às indústrias mostram a tecnologia e o preparo do setor na produção de alimentos de qualidade e com valor nutricional.

“O programa Conhecendo a Indústria proporciona aos formuladores de normas e aos técnicos, que contribuem para a tomada de decisão e a elaboração de propostas de políticas públicas, um olhar de perto sobre o investimento, a qualidade e a segurança que marcam a produção industrial brasileira. No caso específico desta edição, destaco os cuidados que a indústria tem com o valor nutricional e a qualidade dos alimentos e os investimentos relevantes em logística, para que possam chegar com segurança à mesa do consumidor”, pontuou.